Ayurveda: o caminho para o equilíbrio entre corpo, mente e alma

Ayurveda – o Conhecimento da Vida.

O Ayurveda é um sistema de medicina tradicional indiana que tem como objetivo promover o equilíbrio entre corpo, mente e alma. É uma abordagem holística que considera o indivíduo como um todo, e não apenas como uma coleção de partes.

Ayurveda vem das palavras sânscritas “ ayur ” (vida) e “ veda ” (conhecimento). Traduzido, significa “conhecimento da vida”, ou “ciência da vida” e é considerado o sistema de medicina mais antigo e praticado continuamente no mundo.

Embora o estilo de vida e as práticas de autocuidado façam parte do Ayurveda, o uso de ervas e especiarias, a higiene oral, o bem-estar mental e a massagem, entre outras terapias, também o fazem. Muito além de tratar desequilíbrios, o Ayurveda concentra-se na prevenção de doenças e na manutenção da saúde.

O Ayurveda é baseado na teoria dos doshas, que são três humores corporais conhecidos como Vata, Pitta e Kapha. Cada Dosha é composto de dois dos cinco elementos: Vata (ar e espaço), Pitta (fogo e água) e Kapha (terra e água), sendo que cada pessoa tem quantidades diferentes dessa composição de elementos, o que torna o seu Biotipo único.

Assim, para termos um estado de saúde e bem-estar equilibrados devemos manter os nossos Doshas na mesma proporção de quando nascemos. Quando os doshas estão em desequilíbrio, podem surgir problemas de saúde física, mental e emocional.

Os benefícios do Ayurveda

O Ayurveda oferece uma série de benefícios para a saúde, incluindo:

  • Melhoria da saúde geral
  • Redução do stresse e da ansiedade
  • Aumento da energia e da vitalidade
  • Melhora da qualidade do sono
  • Redução da dor e da inflamação
  • Melhoria da digestão
  • Melhoria da concentração e da memória
  • Promoção do bem-estar mental e emocional

Como é praticado o Ayurveda na Soul Bliss

A Soul Bliss oferece uma variedade de tratamentos ayurvédicos, tais como:

Consulta ayurvédica: A consulta ayurvédica é o primeiro passo para qualquer tratamento ayurvédico. Durante a consulta, a Terapeuta Ayurveda avalia a constituição individual da pessoa que está em atendimento, incluindo o seu Dosha predominante (prakriti) e os doshas em desequilíbrio (Vikriti). A partir desta avaliação, e elaborado um plano de tratamento personalizado.

Mukha Abhyanga: A Mukha Abhyanga é uma massagem facial ayurvédica que ajuda a melhorar a circulação sanguínea, a nutrição da pele e a saúde dos olhos.

Abhyanga: A Abhyanga é uma massagem ayurvédica completa que ajuda a relaxar o corpo, a melhorar a circulação sanguínea e a nutrição dos tecidos.

Basti externo: O Basti externo é um tratamento que consiste na aplicação de óleo medicado numa retenção de óleo feita com uma massa integral numa área específica do corpo. Tem como objetivo lubrificar e nutrir o local a ser tratado, além de libertar energia dos pontos onde são aplicados. De acordo com a região, os benefícios são diversos: redução de inflamações, artrites e ansiedade, por exemplo.

Basti externo: O Basti externo é um tratamento que consiste na aplicação de óleo medicado numa retenção de óleo feita com uma massa integral numa área específica do corpo. Tem como objetivo lubrificar e nutrir o local a ser tratado, além de libertar energia dos pontos onde são aplicados. De acordo com a região, os benefícios são diversos: redução de inflamações, artrites e ansiedade, por exemplo.

Garshana: A Garshana é uma massagem ayurvédica que utiliza uma luva de algodão para esfoliar o corpo. Este tratamento ajuda a remover as células mortas da pele, a melhorar a circulação sanguínea e a nutrição dos tecidos.

Karna Purana: A Karna Purana é um tratamento que consiste na aplicação de óleos quentes no ouvido. Este tratamento ajuda a melhorar a audição, a reduzir a dor de ouvido, o zumbido e a melhorar o sono.

Os tratamentos são personalizados para cada pessoa, de acordo com a sua constituição individual e as suas necessidades específicas.

Porque escolher o Ayurveda como o seu tratamento

O Ayurveda é uma abordagem holística que oferece uma série de benefícios para a saúde. É uma opção eficaz para pessoas que procuram melhorar a sua saúde geral, reduzir o stresse e a ansiedade, e promover o bem-estar mental e emocional.

A Medicina Ayurvédica é indicada para pessoas de todas as idades e condições de saúde. No entanto, é especialmente indicada para pessoas que sofrem de:

  • Stresse e ansiedade
  • Problemas de digestão
  • Dor crónica
  • Problemas de pele
  • Problemas de sono
  • Falta de energia
  • Problemas de fertilidade

A Medicina Ayurvédica também pode ser uma boa opção para pessoas que procuram melhorar a sua saúde geral e o seu bem-estar.

A Medicina Ayurvédica é uma abordagem holística para a saúde que oferece uma série de benefícios para pessoas de todas as idades e condições de saúde. Se você está procurando uma maneira de melhorar a sua saúde e o seu bem-estar, a Medicina Ayurvédica pode ser uma ótima opção.

Se você está interessado em aprender mais sobre o Ayurveda, entre em contato com a Soul Bliss.

Sobre a Medicina Chinesa

Medicina Tradicional Chinesa

Armando Rola Pata

Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

É o nome usualmente dado a um conjunto de técnicas de medicina tradicional originárias na China, que foram desenvolvidas ao longo dos milhares de anos. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), é um método de tratamento complementar para múltiplas doenças. Foi também declarada Património Cultural Intangível da Humanidade pela UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization). Em Portugal, é uma das Terapêuticas Não Convencionais (TNC), reguladas por Lei.

A abordagem da MTC ao corpo humano é comparável ao olhar sobre um sistema de irrigação – já que, o corpo, em média tem 60% de água – com canais principais e afluentes; com poços, nascentes e riachos, rios e até mares; com um intrincado sistema de comportas, que tanto nos permite inundar zonas secas, como escoar zonas alagadas, assim, estamos a ver o corpo através das “lentes” da Medicina Chinesa. É por estes canais, ou meridianos, que circulam Qi, Sangue (Xue) e Líquidos Orgânicos (JinYe), e a doença ocorre quando essa circulação se torna patológica.

O nosso organismo procura naturalmente o equilíbrio através das suas capacidades de auto cura e a MTC potencia essas capacidades, ao focar os seus cuidados numa visão holística, centrada na existência de bem-estar e não apenas na ausência de doença, e na qual, a pessoa, como ser único e em interação constante com tudo, requer um cuidado personalizado e integrado.

A MTC não se limita à Acupunctura – com a inserção de finíssimas agulhas em locais determinados. Ela inclui, como recursos terapêuticos utilizados tanto para o tratamento, como para a manutenção da saúde, a Fitoterapia terapêutica à base de plantas e minerais; a massagem terapêutica TuiNa – uma espécie de fisioterapia chinesa; a Dietética – com os alimentos como nossos remédios; e as práticas de TaiJi e QiGong – exercícios físicos de respiração, concentração e movimento.

Construa no presente a sua saúde e futuro bem-estar!

Acupunctura (e Moxabustão)

A Acupunctura consiste na inserção de agulhas muito finas (devidamente esterilizadas, embaladas e descartáveis), em determinados pontos do corpo: os Pontos de Acupunctura. Apesar da introdução das agulhas ser praticamente indolor, é possível por vezes, sentir uma picada muito ligeira.

A seguir ao tratamento, pode ocorrer um agravamento ligeiro e passageiro dos sintomas sendo considerado um sinal de boa resposta, a que se segue, geralmente, uma melhoria significativa. É também muitas vezes referida, uma sonolência durante e após o tratamento.

É muito segura e as complicações graves são muito raras (menos de 1 em cada 10 000 tratamentos). As complicações mais comuns, quando ocorrem, são uma pequena hemorragia ou equimose (nódoa negra) no local onde foram introduzidas as agulhas.

No Ocidente, a Acupunctura é procurada principalmente para o alívio da dor e o controlo emocional (depressão, ansiedade, stress). No entanto, devido ao seu sucesso terapêutico, têm-se desenvolvido estudos exaustivos, desde 1979, em hospitais e universidades do Ocidente que confirmam óptimos resultados em mais de 140 patologias.

A Moxabustão segue os princípios da Acupunctura, no entanto a estimulação dos pontos e dos canais (ou meridianos) é promovida pelo aquecimento ao aproximar a moxa da pele. A moxa, em forma de bastão, cone ou “bagos de arroz”, é a planta herbácea artemísia (Artemisia sinensis ou Artemisia vulgaris), seca e em brasa.

Por vezes, aplica-se a Acupunctura e a Moxabustão em simultâneo.

Fitoterapia

A Fitoterapia Chinesa consiste na administração, via oral ou cutânea, de compostos fitoterápicos. Embora estes sejam essencialmente constituídos por plantas, esta forma de tratamento também utiliza ingredientes de origem mineral ou animal.

Os diversos ingredientes que compõem cada receita, ou fórmula, são combinados em proporções que maximizam os efeitos desejados e inibem possíveis efeitos colaterais. O conhecimento destas combinações e proporções, é fruto da experimentação empírica de milhares de anos e de recentes pesquisas.

As fórmulas podem ser apresentadas sobre a forma de comprimidos, pilulas, cápsulas, gotas e óleos.

A recente investigação sobre a Artemisia, de ampla utilização na MTC, resultou na atribuição do Prêmio Nobel de Medicina (2015) a Tu Youyou, pela sua pesquisa sobre efeito da artemisinina no tratamento da malária.

Desde a antiguidade que a matéria médica chinesa está categorizada em três níveis:

Superior – que aprimora a saúde e o espírito;

Médio – com efeitos medicinais sobre o corpo;

Inferior – de ação drástica, que inclui substâncias que podem ser tóxicas conforme a dosagem.

Dietética

A par da Nutrição Ocidental, a Dietética, Nutrição ou Terapia Alimentar Chinesa, procura o equilíbrio e o bem-estar em cada pessoa, pela adequação dos alimentos a consumir.

Muito à imagem da célebre frase Hipócrates: “Que o teu alimento seja o teu medicamento”, na qual está resumido o papel fundamental que a alimentação desempenha na saúde e no especial cuidado que devemos ter com o que comemos, e em que quantidades.

A Dietética Chinesa classifica ainda os alimentos segundo o seu sabor: picante, doce, amargo, salgado e ácido; e a sua natureza: quente, morna, neutra, fresca e fria.

É uma massagem terapêutica que assenta, principalmente, na estimulação dos pontos, dos canais e de outras partes do corpo, para corrigir o desequilíbrio fisiológico e alcançar o bem-estar.

É frequentemente utilizada em conjunto com outras ferramentas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa e os seus métodos incluem o uso de técnicas manuais, técnicas de pressão e deslizamento, e técnicas manipulativas para afeções músculo-esqueléticas e ligamentares.

Tratam-se de actividades com raízes na China antiga e de um comprovado efeito terapêutico, que incluem exercícios integrados para o corpo, a mente e o espírito.

São caracterizados pelos seus movimentos suaves, fluidos e descontraídos. Podendo estas práticas ser realizadas por qualquer faixa etária ou condição de saúde.

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Saúde Preventiva e Integrativa

Só haverá uma medicina verdadeiramente holística quando os médicos vierem a adquirir uma melhor compreensão a respeito dos profundos inter-relacionamentos entre o corpo, a mente e o espírito (…).” – Richard Gerber.

Saúde, essa palavrinha de 5 letras que pode ser representativa de tanta alegria e felicidade, e à qual tantas vezes só damos valor quando nos vemos em situação de dor, lesão ou doença.

A Saúde é muito mais do que a ausência de doença. A Saúde, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença.

É prática comum fazer um check-up anual, onde se fazem análises laboratoriais (que geralmente incluem a glicémia em jejum, hemograma, ureia, colesterol total, HDL E LDL, triglicéridos, valores relativos à tiróide, urina, pesquisa de sangue nas fezes, entre outras), ecografias (abdominal superior e inferior, ginecológica) e eletrocardiograma de controlo. No entanto, considerando o postulado da OMS, será que esta avaliação bioquímica verifica efetivamente a presença de saúde? Ou será que atesta “apenas” a ausência de doença? Na minha perspetiva a resposta positiva é à segunda questão: atesta a ausência de doença.

Como vimos, a Saúde inclui um estado de bem-estar. Na visão que preconizamos na Soul Bliss, esse bem-estar está dependente de quatro áreas: físico, mental, emocional e espiritual. A equação abaixo poderá resumir o conceito de saúde:

Bem-estar

Físico + Mental + Emocional + Espiritual / Energético = Saúde

Os exames complementares de diagnóstico podem responder apenas à primeira parte da equação, a parte física.

Para conseguirmos uma resposta integrada acerca do estado de saúde, é necessária uma avaliação integrativa e holística, com base em outras especialidades da área das terapias convencionais e não convencionais, vejamos como adiante.

 

Um novo paradigma: Prevenção

Todos nós já estivemos doentes, portanto todos nós já tivemos algo para tratar certamente. Mas deixe-me perguntar-lhe: quantas vezes fez consultas ou tratamentos no sentido verdadeiro de prevenir o aparecimento de lesões ou doenças? Poderá responder que faz o check-up anual, compreendo. Mas questiono: será que o check-up anual é mesmo uma forma de prevenção, ou será uma forma de encontrar a doença antes que ela se agrave? Deixe-me dar-lhe alguns exemplos daquilo que para nós se poderia considerar atuar em prevenção.

Uma das melhores formas de prevenir o desenvolvimento de tensões e contraturas é a realização de uma massagem, uma sessão de fisioterapia ou osteopatia para que o terapeuta possa ajudá-lo a diminuir o desconforto antes mesmo de qualquer dor, lesão, contratura ou tendinite o chatear no seu dia-a-dia. Pode recorrer a estes profissionais para avaliar e tratar a parte física, sendo que na presença de queixas o fisioterapeuta e/ou o osteopata irão procurar a origem das suas queixas com base na anamnese (história clínica), em testes físicos variados, específicos e diferenciais.

Por exemplo, um teste que se aplica facilmente em consultório é o de elevação da perna reta (straight leg raise test), que pretende avaliar a existência de dor irradiada com origem em problemas lombares (protusão ou hérnia discal) e/ou de encurtamentos musculares da parte posterior dos membros inferiores (isquiotibiais e gémeos). Pode pedir-se também que, da posição de pé, se dobre para a frente até tocar com as mãos nos pés (ou tentar), para analisar a existência ou não de escoliose a olho nú (teste de Adams). Muitos outros testes podem ser efetuados em contexto de gabinete, dependentes das queixas da pessoa avaliada.

Como vimos antes, uma massagem pode promover a sensação de bem-estar, leveza contribuindo para a manutenção da saúde física e emocional, pois durante a massagem, pelo toque, são também libertadas hormonas que promovem esse estado. Tem muitas à sua escolha: relaxamento, desportiva, terapêutica, ayurvédica, tailandesa, etc.

Para analisar e cuidar da parte mental e emocional, a psicologia é uma excelente forma de perceber se existe alguma questão que precise ser adereçada: traumas, medos, fobias, stress e ansiedade, adições, etc. Pode ver também no nosso blog um artigo sobre Inteligência Emocional e o Adoecimento. A psicologia e a psicoterapia podem, e devem, a meu ver, ser um recurso como forma de promoção da saúde e bem-estar mental e emocional.

Ninguém é de ferro, todos precisamos de todos. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, antes pelo contrário! É preciso muita força para reconhecer que se precisa de ajuda, para a pedir e para agir no sentido da mudança. Por isso, se o está a fazer, desde já os meus parabéns!

Dentro da Psicoterapia existe a Psicoterapia Corporal que se reveste de particular interesse pois faz uma relação muito direta entre corpo e mente, físico e emocional, avaliando e tratando a pessoa como um todo. Inclusive, os psicoterapeutas corporais atuam também através de massagem corporal, direcionada a tratar determinadas tensões e pontos específicos de acordo com a sua avaliação, e ainda com outras técnicas que envolvem movimentar o corpo. Mais sobre isto num próximo post.

Além destes aspetos, a Nutrição é fundamental para manter o aporte de vitaminas, minerais, proteínas, hidratos e gorduras saudáveis que o nosso veículo físico tanto necessita. A Nutrição Funcional, a Naturopatia e a Medicina Quântica podem proporcionar uma análise do estado geral de todas as componentes do organismo, fazendo por último uma recomendação de alimentação e suplementação para a promoção da saúde ou, em caso de necessidade, para a condição clínica em causa.

Falta adereçar o último ponto da equação do bem-estar: o bem-estar espiritual ou energético. A ciência está aos poucos a comprovar aquilo que os espiritualistas dizem há muitos anos: tudo é energia, incluindo nós, Seres Humanos. Por esse motivo, tudo que acontece tem relação com o campo energético.

“Tudo é energia e isso é tudo que há. Sintonize a frequência que você deseja e,

inevitavelmente, essa é a realidade que você terá.

Não tem como ser diferente.

Isso não é filosofia. É física.”

– Albert Einstein –

Diversos autores dentro da área energética, como Cyndi Dale ou Richard Gerber (autor do livro Medicina Vibracional), citando apenas 2, apresentam-nos o Ser Humano como um Ser Multidimensional, constituído por 7 corpos, sendo apenas um deles o físico, aquele que vemos e sentimos. Richard Gerber diz mesmo que as alterações no corpo etérico (o segundo corpo, mais próximo do corpo físico) precedem a manifestação das doenças no corpo físico. Alguns autores apontam que esta “desorganização” energética precede em meses o aparecimento dos problemas no plano físico, o corpo. Simplesmente a maioria de nós não fomos habituados a prestar atenção e percecionar a nossa energia, o nosso corpo.

Como acontece ao certo esta ligação então? No oriente, através da milenar sabedoria da Medicina Tradicional Chinesa, esta resposta é conhecida há anos: através dos meridianos. A energia (Chi) penetra no corpo através dos pontos de acupuntura e flui até aos órgãos mais profundos, levando-lhes energia vital, esse “alimento” subtil. Pode trabalhar-se estes aspetos através da acupuntura mas também através de disciplinas como o Tai Chi ou o Chi Kung, ou mesmo através da Acupuntura com um profissional de Medicina Tradicional Chinesa, permitindo equilibrar o sistema energético.

Outra técnica que promove o bem-estar, não só espiritual/energético, mas também físico, mental e emocional é a Meditação. Meditar, de forma simples pode ser encarado como focar deliberadamente a atenção em algo. Pode ser a respiração, um som, uma planta, as ondas do mar, ou até uma parede branca. Meditar não é deixar de pensar, como muitas vezes se ouve. Emily Fletcher, autora de “Stresse menos, Alcance mais” refere no seu livro algo muito caricato mas muito verdadeiro: pedir à mente que deixe de pensar é como dizer ao coração que deixe de bater. Não dá, não é possível, não foi para isso que foram criados. O que podemos é aprender a focar a nossa atenção.

A meditação é uma disciplina mental e espiritual que está aberta a qualquer pessoa com disponibilidade e abertura para tentar colocá-la em prática. Meditar, segundo algumas fontes ligadas à espiritualidade, é uma forma de nos colocarmos em contacto com o nosso Eu mais elevado, também chamado de Eu Superior, ou ainda a Consciência Divina que nos habita. Se procura esta conexão espiritual, eão meditar pode ser a solução que procura. Mas desenvolver este tema seria temática para outro artigo.

De forma simples, para meditar pode:

  • Usar símbolos que façam sentido para si: símbolos de geometria sagrada, uma bíblia, um terço, uma japamala, uma imagem, etc.
  • Através do som: taças tibetanas, gongos, entoar cânticos ou mantras.
  • Meditação guiada.
  • Estilo livre, simplesmente fechando os olhos e focando a atenção na respiração.

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A normalização da doença

O Ser Humano é maravilhoso na sua complexidade.

É incrível como o nosso corpo funciona tão harmoniosamente em todos os sistemas (gastrointestinal, cerebral, urinário, cardíaco, respiratório), quando somos mais jovens e temos uma saúde de ferro. Á medida que vamos envelhecendo, parece que se torna normal que apareça excesso de peso, hipertensão, diabetes, artroses. Parece normal, mas não é. Pode ser comum, mas não é normal.

O Ser Humano responde às leis do tempo, neste mundo dual em que vivemos, dessa forma o sentido da vida é o envelhecimento, pelo aumento da idade. Assim, é comum haver alguma degeneração dos órgãos e estruturas, mas não é normal a doença. Ela apenas foi normalizada.

Não vou aqui enumerar culpados, porque acredito na responsabilização individual, acredito no poder do livre-arbítrio, no Ser Humano como último decisor acerca da sua saúde, e não numa tomada de decisão externa, exclusiva do profissional de saúde.

A indústria farmacêutica pode criar os medicamentos fantásticos para a hipertensão, que posteriormente o médico, na sua boa-fé, irá recomendar. Mas você também pode procurar ajuda de um nutricionista para saber de que forma a sua alimentação está a propiciar o aparecimento da doença.

O médico pode aconselhar-lhe uns comprimidos anti-inflamatórios para as dores nas costas (lombalgia) que teimam em não desaparecer há 3 meses, mas você também pode marcar uma consulta de fisioterapia e perceber que outras estratégias poderão existir para tratar a dor crónica que sente.

Quem diz em relação à lombalgia e à hipertensão diz em relação a imensas outras doenças que têm na sua base o mesmo: inflamação crónica.

Inflamação e doença crónica

A inflamação é uma resposta adaptativa do sistema imunitário para restaurar a funcionalidade após um desequilíbrio do organismo (equilíbrio esse designado tipicamente por homeostase); no entanto, a inflamação quando é excessiva ou se torna crónica, pode tornar-se patológica. Sabe-se hoje que a inflamação crónica é uma das principais causas para o desenvolvimento de doenças crónicas e auto-imunes: doença cardiovascular (como hipertensão arterial), diabetes tipo II, artrite reumatóide, lúpus, fibromialgia, entre outras.

Muitas coisas podem influenciar e propiciar essa cronicidade:

  • stress,
  • hábitos alimentares (baixa ingestão de frutas e vegetais, excesso de açucares e processados na alimentação, glúten, entre outros),
  • hidratação (água é a melhor fonte de hidratação, não sumos ou chás)
  • toxinas (ambientais ou ingeridas através da alimentação),
  • disbiose (desequilíbrio nas bactérias boas e menos boas do intestino),
  • qualidade de sono (dormir mal, dormir poucas horas ou ter problemas de sono – exemplo: apneia de sono),

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O Rim

João Pedro Soares

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Enquadramento teórico

Quando traduzimos uma palavra do Mandarim a tradução não é tanto um conceito, mas um contexto. Raramente se pode fazer uma tradução literal, sendo que para explicar uma tradução é preciso saber muitas ideias subentendidas ou explicar muitas definições.

Por exemplo o caracter 日 traduz-se simultaneamente para “Sol” e para “Dia”, 月 traduz-se para “Lua” e “Mês”. Estes valores não estão dissociados e existe sempre uma ligação entre as várias diferentes traduções mesmo que não nos sejam obvias imediatamente. Para ir mais a fundo nesta explicação: ao contrário de nós no Ocidente que seguimos o calendário Gregoriano (também chamado calendário Cristão) eles seguem o calendário Lunar que é o mais antigo registo cronológico que se tem conhecimento. Sendo que cada mês corresponde um ciclo da lua. Na China corre o ano de 4718 tendo iniciado a contagem na ocasião do início do reinado de Huang Di o Imperador Amarelo (ou 110 adotado em Taiwan marcando o início da República da China).

Existem outras contagens em outros países, vou referir a Tailândia, porque nutro um amor especial, em que o ano inicia na Festa da Primavera (Songkran) conta com 543 a mais que o nosso calendário. Como é fácil de perceber, eles não contam os anos a partir do nascimento de Jesus, mas a partir da morte de Buda.

Mas estou a desviar-me do assunto. O que quis transmitir com isto é que os conceitos não podem ser interpretados à letra, mas têm de ser “traduzidos” de uma forma que englobe a explicação.

O conceito de Rim mescla-se com o conceito do elemento Água. Não se pode explicar o que é o Rim sem o enquadrar na teoria dos 5 Elementos. Existem relações entre os elementos e estes no estado fisiológico ou patológico do organismo.

No corpo humano a cada elemento, como pode ver na imagem acima, está associado um órgão, uma víscera, um órgão dos sentidos, um “tecido” (tecido para simplificar a explicação) e uma emoção. Na natureza cada elemento está manifestado numa estação, uma direção, cor, sabor, e, sem detalhar muito, um estado e uma mutação.

Porque é que isto é importante? Porque há interações entre os órgãos e muitas vezes uma função ou uma patologia não pode ser explicada sem o enlaço com os outros órgãos e funções. Um pulmão saudável fortalece um rim saudável. Um baço e/ou coração lesado pode afetar o rim, um fígado fraco vai sobrecarregar o rim. Um órgão não pode ser tratado usando apenas pontos do seu meridiano. E, novamente, quando usamos o nome de um órgão não quer dizer que estamos a falar do órgão literalmente, mas sim, do contexto e todas as relações em que esse órgão está implicado.

Sem mais rodeios.

Funções do Rim

  • Armazenar a Essência (Jing). Governar o nascimento, crescimento, reprodução e desenvolvimento.
  • Produzir a Medula, abastecer o cérebro e controlar os ossos.
  • Governa a água.
  • Controla a receção do Qi.
  • Abre-se nos Ouvidos.
  • Manifesta-se no cabelo.
  • Controla os orifícios inferiores.
  • Abriga a força de vontade.

Armazenar a Essência (Jing). Governar o nascimento, crescimento, reprodução e desenvolvimento

Para perceber este ponto é preciso ter em consideração que segundo a Medicina Tradicional Chinesa há 3 fontes de energia no corpo humano. Uma vem dos alimentos, outra da respiração e por último existe uma que se chama Essência que está armazenada nos rins. Para não complicar muito esta explanação falando das interações entre estas fontes de energia e 2 tipos distintos de Jing. Vou apenas dizer que a energia armazenada nos rins é finita. É herdada dos nossos pais. Somos detentores do seu máximo quando nascemos e vamos usando ao longo da vida.

O nosso crescimento, desenvolvimento, maturidade sexual, e reprodução são função da existência da Essência. Esta controla os vários estágios de mudança na vida e o envelhecer consiste no declínio da Essência durante a vida. Se a Essência for abundante haverá grande vitalidade, virilidade e fertilidade. Se a Essência estiver debilitada o contrário acontecerá. A Essência não se pode repor, mas pode-se preservar.

Produzir a Medula, abastecer o cérebro e controlar os ossos
A função cerebral está intimamente relacionada com o Rim e a Essência. Toda a matriz óssea, medula óssea, cérebro, espinal medula depende do Rim. À medida que vamos perdendo Essência também perdemos memória, concentração, visão e pensamento. Toda a habilidade e inteligência dependem de Essência e Rim fortes.

Governa a água
Controla o fluxo dos fluidos corporais. Controla a urina. Mas também mantem humedecidos órgãos que o necessitam.

Controla a receção do Qi
Este ponto refere-se à interação do Rim com o Pulmão e sua função de receber energia através da respiração.

Abre-se nos Ouvidos
Se o Rim estiver debilitado pode afetar a audição ou surgir a ocorrência de zumbidos.

Manifesta-se no cabelo
Essência abundante fará o cabelo crescer saudável e vigoroso, caso contrário pode tornar-se fino, quebradiço e cair.

Controla os orifícios inferiores
Autoexplicativo 🙂

Abriga a força de vontade
O Rim determina a nossa força de vontade.

Misturando tudo
  • O medo lesa o Rim. Há muitos filmes em que, quando alguém está numa situação de medo urina involuntariamente, não controlando os orifícios inferiores. O medo também imobiliza, perdendo a pessoa a força de vontade.
  • À medida que vamos envelhecendo vamos perdendo memória, concentração. Pode surgir impotência e no caso das mulheres secura vaginal. Podemos perder o controlo dos esfíncteres, podemos precisar de fraldas novamente.
  • Os nossos ossos ficam mais quebradiços e os dentes podem cair.
  • O nosso cabelo cai e podemos perder a audição.
  • Tudo isto faz parte do bonito ciclo natural da vida.

Ainda não há forma de a prorrogar, mas podemos cuidar de nós de forma a mantermos boa condição na nossa idade avançada.

A Medicina Tradicional Chinesa procura dar condições de melhorar a qualidade de vida de quem a usa.
Marque uma sessão e descubra como.

Bibliografia:

“O Diagnóstico Na Medicina Chinesa” – B. Auteroche – P. Navailh; ANDREI Editora LTDA, São Paulo; 1992

“Os Fundamentos da Medicina Chinesa Um texto Abrangente para Acupunturistas e Fitoterapeutas” – Giovanni Maciocia; Editora Roca LTDA; 1996

Mudança: medo ou desafio

Ano novo, vida nova…

… e com ele muitas resoluções e vontades renovadas. Os finais de ano são naturalmente épocas marcantes para o Homem, pois representam o fechar de um ciclo e início de outro. Há uma tendência natural para analisar o que aconteceu ao longo desse ano, coisas boas e menos boas, e há também a vontade de reavivar objetivos antigos (que não foram cumpridos), definir coisas novas que se querem pôr em prática, ou mesmo colocar em prática algumas ideias que até aí estavam apenas no papel ou na cabeça.

Estes votos tipicamente incluem passar mais tempo com a família, fazer mais desporto, ser promovido, ter uma alimentação mais saudável, ganhar mais dinheiro, dormir mais horas (ou melhor), ter melhor relacionamento como pai/mãe/ cônjuge/filhos, etc, lançar um livro ou um negócio, emigrar, entre outros, dependendo do esquema de prioridades para a pessoa em causa.

O desafio aparece quando damos conta que ao fim de 1 mês estas resoluções já foram por água abaixo, e depois volta a tristeza e frustração de sentirmos que não somos capazes de tomar as rédeas da nossa vida.

Diria que grande parte das pessoas são avessas à mudança, ou que pelo menos a sua potencial existência gera algum tipo de ansiedade ou angústia. A dificuldade de mudar pode ter muitas origens:

  • medo da mudança ou do desconhecido,
  • receio do julgamento alheio,
  • não saber o que se quer (ainda que se saiba o que não se quer),
  • dificuldade em estabelecer objetivos,
  • não saber a quem pedir ajuda,
  • não estabelecer corretamente a prioridade,
  • não ter disciplina suficiente.

Eu sei que gostaria que eu incluísse aqui o “não ter tempo”, mas não vou fazê-lo pois acredito que nunca existe falta de tempo. Pode é existir falta de prioridade Mesmo quando me dizem que não têm tempo para fazer exercício, eu até posso concordar, mas não diga que é por falta de tempo: simplesmente é mais importante ganhar dinheiro para pagar as contas e ter comida na mesa, do que investir 1hora por dia a treinar em casa ou num ginásio. Eu própria já tive fases destas na minha vida, em que fiz menos daquilo que gostaria de fazer, e está tudo certo. Prioridades 😊

Ainda assim, se passa o dia a trabalhar, certamente fará algum exercício: caminhar do carro para o trabalho e vice-versa, subir e descer escadas (se as houver), carregar coisas de um lado para outro, enfim, dependendo do seu contexto poderá passar a encarar as suas tarefas do dia a dia como exercício e assim transformar algo corriqueiro em exercício. Tudo depende da forma como olhamos e interpretamos as situações.

Mas antes de progredir, deixe-me voltar à questão do não ter tempo. Tipicamente sentimo-nos frustrados com o sentir que o tempo passa por nós e fizemos pouco daquilo que queríamos ter feito, e quando damos conta já estamos no final do dia, da semana, do mês…caramba, até do ano! Acredito, porque também o sinto, que a forma como falamos e como pensamos as coisas tem um impacto muito forte na forma como nos sentimos. Veja estas duas opções e sinta a diferença ao lê-las:

a) a vida está muito difícil, não estou a conseguir ter tempo para nada, trabalho imensas horas para ter dinheiro suficiente no final do mês, mal consigo ter a casa arrumada e cozinhar para me alimentar como deve ser, isto nunca mais acaba.

b) estou numa fase da minha vida que está a ser muito desafiante, estou a trabalhar imensas horas e acaba por não ser uma prioridade para mim cuidar da casa ou fazer exercício, mas é apenas uma fase e há-de melhorar.

Para mim a primeira frase (a) faz-me sentir que sou vítima das circunstâncias e que a vida simplesmente está a acontecer e eu não tenho qualquer poder ou impacto sobre ela. A segunda opção (b), faz-me sentir centrada, com poder pessoal, pois ainda que esteja a atravessar um momento desafiante na minha vida sei que é uma escolha minha (pela definição de prioridades) e que melhores tempos virão.

Sabendo que tudo tem os seus altos e baixos, bons e menos bons, e que todos os ciclos se fecham para se abrirem outros, pensemos agora numa fase em que o exercício irá começar a fazer parte da sua vida, ou que já faz: certamente poderá reconhecer os inúmeros benefícios na prática de exercício. Ora veja:

  • fortalece o sistema imunitário (que tão importante é para combater viroses e outras infecções),
  • aumenta e/ou mantém a massa muscular (evita a atrofia muscular típica do sedentarismo),
  • mantém a saúde óssea (evita osteopénia e osteoporose),
  • facilita a perda de peso (em conjunto com uma alimentação saudável),
  • normaliza a tensão arterial,
  • ajuda a controlar a glicémia (excelente para todos, em particular para diabéticos),
  • melhora a qualidade de sono,
  • diminui o stress (ou a perceção de stress),
  • liberta hormonas que proporcionam bem-estar e boa disposição (as tão faladas endorfina, a dopamina e a serotonina),

Espero que já esteja com vontade de calçar os ténis e ir fazer exercício, seja correr, caminhar, fazer pilates, jogar futebol, praticar yoga, jogar padel com os amigos, ou qualquer outra forma de se exercitar.

Se isto está a ser um desafio na sua vida, fale connosco, podemos ajudar. Temos sessões de coaching (com psicólogo), aulas de pilates clínico (individual e de grupo), de yoga (vinyasa flow) e até mesmo treino personalizado.

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Respiração e Saúde Mental – Parte II

Autor: Marcelo Lopes, Psicólogo

Na parte I deste artigo falámos sobre como a respiração está envolvida em tudo o que fazemos e em todas as funções dos nossos corpos e, no entanto, é incrível como muitos de nós não sabem respirar corretamente. Sabemos que a respiração é uma das nossas principais fontes de energia.

Falámos sobre de que forma a respiração influencia profundamente o sistema nervoso, e de como podemos influencar a nossa saúde e o nosso estado através da “manipulação” de como respiramos (mais profundamente, mais pausadamente, etc).

Pode ler na íntegra a primeira parte deste artigo seguindo este link.

Muito Para Além do Stresse

Se o stress influencia a nossa respiração, tornando-a mais curta e superficial, também uma respiração ineficaz leva a sensação de mais stress. É um círculo vicioso. Quer a ameaça já tenha terminado e ainda não tenhamos tido um momento para relaxar, quer o desafio seja constante e não dê tréguas, a respiração continua alterada – fomentando este ciclo. Este processo vai muito para além do stress, o qual já provoca danos suficientes e todos já estamos fartos de ouvir falar sobre isso. Assim, vale a pena conhecer em maior detalhe os malefícios de não respirar adequadamente:

  • Não há uma oxigenação eficaz do cérebro:
    • O que contribui para dificuldades de concentração, incapacidade de gestão emocional, irritabilidade e perdas de memória
  • Alterações no sistema imunitário:
    • se um pico breve de stress torna o sistema imunitário mais eficaz, otimizando a produção de hormonas anti-inflamatórias, a longo prazo isto não se verifica, sendo que há um gasto energético insustentável e o corpo vai ficando resistente ao efeito destas hormonas (semelhantemente ao modo que se torna resistente à insulina)
  • Depressão e fadiga crónica:
    • a longo prazo, todo este gasto energético e oxigenação ineficaz podem esgotar a nossa energia
  • Ansiedade, insónia e aumento da pressão arterial:
    • associados a um batimento cardíaco mais acelerado e a toda a componente hormonal associada ao estado de alerta constante
  • Encurtamento do diafragma e atrofia dos restantes músculos respiratórios:
    • fomos feitos para respirar na totalidade do nosso espaço torácico, com todos os músculos envolvidos a serem contraídos e descontraídos a cada inspiração e expiração; não para fazermos respirações curtas, em que os músculos não desempenham o seu papel
  • Dores na coluna e postura inadequada:
    • exatamente porque há uma atrofia da musculatura torácica, que se conecta à coluna, o espaço entre as vertebras diminui, alterando a postura e aumentando a tensão no peito, onde se encontram os antagonistas da musculatura dorsal (ou seja, uma tendência para fechar o peito e aumentar a tensão sobre a coluna).

De Volta Ao Ritmo Natural

Não podemos terminar sem deixar umas dicas, afinal o leitor acompanhou tudo até aqui e recebeu uma aula teórica bem robusta, além da chamada de consciência para tantos aspetos negativos. Achamos que é bom ficar com um exercício para que possa, no seu próprio ritmo, regressar a um estado de calma e recuperar devidamente.

O exercício pode ser feito sentado ou deitado, de olhos abertos ou fechado – como for mais confortável para si.

A proposta é, de modo semelhante ao abordado no post anterior, trazer a consciência para o que se passa no interior do seu corpo.

Pode começar por verificar como está a sua respiração, antes mesmo de a tentar influenciar, notando aspetos como o ritmo, a profundidade, a tensão, a sensação. Com curiosidade e interesse genuínos, conheça a sua respiração, tal como está. Após alguns momentos, tente abrandar um pouco o ritmo enquanto aumenta gradualmente a profundidade – permitindo que a zona abdominal esteja envolvida na respiração, que cada inspiração seja uma verdadeira lufada de ar fresco, plena de energia vital.

Se ajudar, pode contar o número de vezes que respira ao longo de um minuto e, nos minutos seguintes, tentar reduzir o ritmo progressivamente.

Não é aconselhado fazer mudanças bruscas no ritmo, tendo em conta que o sistema nervoso pode interpretar uma mudança rápida como uma ameaça, e ligar o modo alerta, fazendo disparar o coração e tudo o resto.

Gradualmente, entregue-se à respiração e sinta o corpo a relaxar. A mente vai divagar, pelo que a respiração será a âncora para onde pode regressar sempre que se aperceber desta divagação. Disfrute deste relaxamento e de toda a energia vital que o está a preencher neste momento. Sinta-se vivo, sinta-se seguro e, acima de tudo, saiba que este modo de estar é uma escolha sua.

Se tiver interesse em aprofundar a sua prática de respiração, aprender técnicas avançadas de pranayama ou usufruir dos aspetos terapêuticos da respiração a nível do corpo e da mente, entre em contacto com a equipa da Soul Bliss. Estamos à sua espera!

Referências

Nivethitha, L., Mooventhan, A., Manjunath, N. K., Bathala, L., & Sharma, V. K. (2017). Cerebrovascular hemodynamics during pranayama techniques. Journal of Neurosciences in Rural Practice, 8, 60–63.

Nivethitha, L., Mooventhan, A., Manjunath, N. K., Bathala, L., & Sharma, V. K. (2018). Cerebrovascular Hemodynamics During the Practice of Bhramari Pranayama, Kapalbhati and Bahir-Kumbhaka: An Exploratory Study. Applied Psychophysiology and Biofeedback, 43, 87–92

Brown, R. P. & Gerbarg, P. L. (2017). Respire – o poder curativo da respiração. Lua de Papel.

Saraswati, S. (2002). Asana pranayama mudra bandha (3th revised ed.). Munger: Yoga Publications Trust.

Telles, S., Singh, N., & Balkrishna, A. (2011). Heart rate variability changes during high frequency yoga breathing and breath awareness. BioPsychoSocial Medicine, 5, 1–6.

Inteligência Emocional e o Adoecimento – Parte II

Autora: Natasha Cecchettini, Psicóloga

Na parte I deste artigo (pode ler na integra aqui), falámos sobre como é preciso buscar um olhar mais questionador e mais profundo sobre tudo o que nos acontece para que as experiências sirvam para aumentar o nosso autoconhecimento e, com isso, a inteligência emocional. Falámos ainda sobre como experienciamos os fatos de acordo com o significado que lhes atribuímos, sendo isto um resultado da forma que o interpretamos com base na “bagagem” de aprendizagens que trazemos da vida.

Percebemos então como podemos ver a doença como o processo que permite levar a consciência a um novo equilíbrio.

Voltar ao início

Para entendermos isto tudo com mais profundidade precisamos voltar ao início, aos nossos primeiros anos de vida quando estávamos a formar a base da nossa consciência. Ao começarmos a dizer eu começamos a “separar-nos” de tudo aquilo que percebemos como não eu, como tu, e ao dar esse passo a consciência torna-se prisioneira da polaridade. O eu prende-se então ao mundo das oposições que se divide, não só em eu e tu, mas em bom e mau, em certo e errado, em feminino e masculino, em doença e saúde e assim por diante. A constituição do ego do ser humano faz com que não consiga trazer para a consciência a perceção da Unidade, ou Totalidade. Toda a identificação que se apoia numa decisão deixa um dos polos de fora da consciência. Tudo aquilo que não queremos ser, tudo o que não desejamos encontrar dentro de nós, que não queremos viver, e tudo o que não queremos deixar participar da nossa identificação, forma aquilo que Carl Gustav Jung chamou de sombra da nossa consciência, ou o seu verso. A rejeição da metade de todas as possibilidades que percebemos não as faz de forma alguma desaparecer do nosso universo, mas sim apenas as exclui da identificação pessoal ou da identificação efetuada pela nossa mente consciente.

O “não”, na verdade, fez apenas desaparecer da nossa vista um dos pólos, mas nem por isso nos livramos dele. Assim, a sombra torna-se o maior perigo para as pessoas, pois todos a temos, sem a conhecer e sem saber que existe. É a sombra que pode providenciar para que todos os esforços e objetivos da nossa consciência se transformem realmente nos seus opostos, se não soubermos reconhecê-la. Em geral, o ser humano ocupa-se mais com aquilo que ele não quer, e ao fazê-lo aproxima-se tanto do princípio rejeitado que acaba por sucumbir a ele. Todo o princípio rejeitado tenderá a assegurar que a pessoa viva esse mesmo princípio. Segundo tal lei, quando não se toma consciência deste processo, os filhos adotam mais tarde na vida exatamente os mesmos comportamentos que odiavam na personalidade dos pais… é assim que, muitas vezes, com o tempo, pacifistas se transformam em militantes bélicos, moralistas levam uma vida de dissipação e os fanáticos pela saúde adoecem.

Por isso, a recusa em aceitar parte da realidade pode obrigar as pessoas a se ocuparem intensamente com a mesma. Isso, na maior parte das vezes acontece através da projeção, que é um mecanismo de defesa em que se atribui a outra pessoa características e/ou desejos inaceitáveis por ela mesma, é a perceção dos próprios sentimentos e atitudes em outra pessoa. Assim que recusamos determinado princípio e o banimos da nossa consciência, ele sempre irá gerar em nós medo, raiva, irritação ou incómodo quando nos deparamos com ele no assim chamado mundo exterior, ou seja, no outro.

O que está dentro é igual ao que está fora

Como um microcosmo, no universo interior do ser humano existe o reflexo de todos os princípios da Vida, do Macrocosmo. A consciência, na sua relação com o mundo, vive a polaridade, e a sua rejeição de parte das possibilidades a obriga a viver, em algum momento, aspetos de si própria que estavam latentes, ocultos, por um processo de autorregulação. Isso pode acontecer através das doenças e/ou das projeções que geram conflitos no seu mundo interior e exterior de tal forma que, com a ajuda destes, possa tornar-se progressivamente mais consciente de si mesmo.

Quando a pessoa se vitimiza acaba por impedir esse processo de tomada de consciência (autoconsciência). O polo abandonado é expulso para sombra e continua exigindo atenção (é por isso que os sintomas exigem a nossa atenção). A doença é uma forma de expressão desses conteúdos, dessas emoções que foram reprimidas, rejeitadas pela consciência. Assim, o conteúdo se manifesta no corpo como sintoma, como um símbolo de algo que foi deixado de fora pela consciência.

Por meio do corpo todo o sintoma força-nos a viver algum princípio que a consciência deliberadamente havia optado por não viver, e isso, de certa forma, já restabelece um equilíbrio. O sintoma pode ser visto como a possibilidade do homem se tornar mais honesto consigo próprio, porque pode permitir tornar visível o que antes estava invisível. Para isso o mais importante de refletirmos a respeito não é o “porque” ficamos doentes e sim, o “para quê” (pode ler sobre este tema no livro Dor Para Quê, da nossa fisioterapeuta e autora Sara Costa), ou seja, a finalidade do sintoma. O que ele ou nós através dele buscamos trazer para a consciência?

Se o adoecimento aconteceu no trabalho, ou por causa do trabalho, o que falta eu trazer para a consciência em relação ao trabalho, ou às relações que vivo nele?

Para entender o que os sintomas nos querem dizer, ou seja, aprendermos a sua linguagem, precisamos aprender a pensar por analogias, visto que ele se expressa de forma simbólica e assim como quando aprendemos um novo idioma, entender o significado dessa linguagem leva o seu tempo. No entanto, qualquer um logo pode começar a perceber que as pessoas que estão doentes em geral descrevem, junto com os sintomas físicos da doença, algo que lhes falta a consciência. Um vê mal, por conta de uma conjuntivite, terçol ou algum problema de visão e precisa ampliar a sua percepção sobre as coisas. O outro está resfriado e “com as coisas pelo nariz”, sente-se sobrecarregado por excesso de trabalho por falta de um posicionamento assertivo, ou porque fica se vitimizando. O outro está com um problema de coluna, ou em alguma articulação e não pode curvar-se por estar rígido demais, o outro não “consegue engolir” por ter uma dor de garganta ou não “consegue se expressar”. O outro sofre de incontinência por não conseguir conter seus impulsos, ou tem uma alergia por acreditar que o ambiente lhe é agressivo, o outro não pode ouvir… e existe aquele que gostaria arrancar a pele de tanto se coçar. Pode ser difícil para a pessoa confessar a si mesma que não gostaria de estar na própria pele e que gostaria de ultrapassar todos os limites. O desejo inconsciente, ou a emoção inconsciente, porém, se concretiza no corpo.

Neste artigo não vamos conseguir abordar a respeito da simbologia de todas as doenças, por isso, o foco aqui é mais em uma nova forma de pensar sobre as doenças e os sintomas, estejam eles relacionados ao trabalho, ou a outros aspectos da vida.

Doença e a Inteligência emocional

Os quatro pilares básicos da inteligência emocional são o autoconhecimento, a autogestão, a empatia e a gestão dos relacionamentos. Focamo-nos até aqui no pilar do autoconhecimento. Agora dar aqui algumas ferramentas valiosas que podem ajudar também nos outros pilares.

Quando algo te tirar do eixo, para conseguir fazer a sua autogestão faça o seguinte:

  • Pare – peça para parar a discussão por um tempo para pensar sobre o ocorrido e retire-se,
  • Reflita – pense sobre quais batalhas vale a pena lutar, pense se você não está projetando aspetos da sua sombra no outro e analise o que lhe falta a consciência ou, às vezes, a sua dificuldade também pode ser de saber posicionar-se, se for esse o caso pense sobre como ser mais assertivo
  • observe – depois de passar o calor do momento, procure observar a situação de um ponto de vista mais abrangente, procure compreender e integrar os dois lados observando de fora, e
  • responda – veja qual é a melhor forma de comunicar sem ser agressivo e sem deixar de mostrar o seu ponto de vista.

Em relação a empatia a dica é:

todo o comportamento tem por trás uma necessidade

procure entender a necessidade das pessoas e tomar uma atitude de maior colaboração, ou se a situação pedir um posicionamento firme tenha coragem para fazê-lo de forma assertiva.

Quanto a gestão de conflitos o conselho é para tomar consciência da comunicação afetiva, que significa tomar consciência do afeto que é gerado através da forma como se comunica algo. Em toda a comunicação ocorre a formação de um campo afetivo e essa energia formada por esse campo pode favorecer ou inibir as pessoas a darem determinadas respostas.

Outra dica importante é pensar que as pessoas que mais te irritam ou incomodam podem ser os seus maiores mestres ao ajudarem a tomar consciência sobre aquilo que você rejeita.

James Allan do livro O Homem é Aquilo que Ele Pensa, diz o seguinte:

“O mundo exterior das circunstâncias molda-se ao mundo interior dos pensamentos, e as condições externas, tanto as agradáveis como as desagradáveis são fatores que contribuem em seu resultado final para o bem do indivíduo. Como ceifeiros de sua própria colheita, o homem aprende tanto pelo sofrimento como pela felicidade. (…).

Os homens não atraem aquilo que querem (somente), mas aquilo que eles são”.

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Inteligência emocional e o adoecimento

Autora: Natasha Cecchettini, Psicóloga

Parte I

A importância de questionar

Aquilo que é comumente aceite e instituído a respeito da doença pouco nos diz sobre de que forma o adoecimento pode contribuir no sentido de ampliar a nossa consciência sobre nós próprios.

A verdade é que, no decorrer do processo de desenvolvimento da ciência, o conhecimento divulgado e apreendido foi ficando cada vez mais especializado e técnico, e muitas das questões essenciais que eram abordadas lá atrás, no berço de todas as ciências – a Filosofia – foram ficando esquecidas, relegadas a um canto escuro que somente alguns desbravadores em busca da verdade conseguiam iluminar.

Visto que o questionamento destes aspetos essenciais dos fenómenos da Vida há muito foram deixados de lado pelo homem, devemos sempre ter um olhar crítico sobre a ciência moderna e os seus atuais métodos. Todo o avanço tecnológico da medicina, por exemplo, tem certamente uma utilidade, é fruto de muito trabalho de pesquisa ao longo dos tempos. Ninguém negará isto.

Agora, o que nos chama a atenção é o fato de que como a discussão se limita aos diferentes métodos e a sua eficácia, e o quão pouco se fala sobre a teoria, ou a Filosofia sobre a qual tais métodos se baseiam. No entanto, consciente ou inconscientemente, de forma transparente ou oculta, toda intervenção expressa a Filosofia em que se baseia. É preciso buscarmos um olhar mais questionador e mais profundo sobre tudo o que nos acontece para que as experiências nos sirvam para aumentar o nosso autoconhecimento e, com isso, a nossa inteligência emocional. Pode ler também o artigo anteriormente publicado, aqui no blog, com o título “Inteligência Emocional e a Saúde“.

Quando vivemos um fato, um acontecimento, nunca o experienciamos de forma puramente objetiva. Experienciamos os fatos de acordo com o significado que lhes atribuímos, como resultado da forma que o interpretamos com base na nossa “bagagem” de aprendizagens que trazemos da vida. Por exemplo, quando olhamos para um termómetro se observamos de uma forma objetiva a movimentação do volume do líquido de mercúrio num tubo de vidro, isso nada nos traz de resultado, fica sem sentido, sem significado. Somente quando interpretamos tal fato e lhe atribuímos um significado, tal como uma mudança de temperatura (ter febre, ou temperatura acima da normalidade), é que o processo se torna significativo e útil para nós. Quando as pessoas deixam de interpretar os acontecimentos da vida de uma forma que o seu significado lhes seja útil no seu desenvolvimento, mergulham numa profunda sensação de falta de sentido.

Então, uma chave para percebermos as doenças, sejam relacionadas ao trabalho ou a outros aspectos da vida é buscando uma base coerente de interpretação que traga um significado para aquele adoecimento, para que ele assim possa servir-nos como oportunidade de aprendizagem sobre nós próprios.

Desde a época de Hipócrates a medicina académica vem tentando convencer os pacientes de que um sintoma é algo relativamente acidental cuja causa está apenas nos processos mecânicos e materiais do organismo.

Os médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, em geral, evitam cuidadosamente interpretar os sintomas e, assim, condenam a doença à ausência de sentido. Mas não podemos responsabilizar apenas os profissionais, pois, em geral, os pacientes aceitam também essa perspetiva sem se questionar. É interessante pensarmos também sobre o porquê disso acontecer assim, de forma tão passiva.

Quando eu penso sobre isso, sempre me vem a questão: “será que as pessoas querem saber o significado do seu adoecimento? Querem aprender a se tornar autoresponsáveis pela sua saúde e outros acontecimentos de suas vidas? Ou será que também não é confortável e conveniente para o ego do ser humano pensar que estas coisas acontecem de forma mais aleatória e que por isso não devem implicar muita reflexão por parte do indivíduo que a vive…” afinal pensar sobre essas coisas dá imenso trabalho, não é? E não é nada confortável….É, pode até ser, mas também é extremamente libertador perceber a verdade e perceber que trabalhando mentalmente nós podemos, ao tomar consciência de aspetos que estavam inconscientes, fazer alterações no nosso corpo.

O carro, a lâmpada e o mecânico

Thorwald Dethlefsen, psicólogo formado na Universidade de Munique e Rüdiger Dahlke, médico e psicoterapeuta, no livro “A Doença como Caminho” abordam essa perspectiva de forma muito interessante e trazem a seguinte analogia:

Imagine que você está num automóvel. Um automóvel possui diversas lâmpadas de controle no painel as quais só se acendem quando alguma função importante não esteja mais funcionando como deveria. Agora, imagine que você está numa viagem e uma dessas luzinhas, das quais você desconhece o significado, de repente se acende.

Talvez você não ficasse nada satisfeito com esse fato e sentir-se-ia na obrigação de interromper o passeio para ver o que se passa. Apesar da inquietação muito compreensível, não faria sentido ficar zangado com a lâmpada, afinal ela apenas nos informa sobre um evento que, de outra forma talvez nem notássemos, ou então demoraríamos muito a notar visto que, para o motorista, ele está numa zona “invisível”.

Se formos inteligentes, entendemos que o fato da lâmpada se acender equivale a um convite para olharmos lá para dentro e tentarmos perceber o que se passa de fato no interior do veículo. E, se tivermos dificuldades em perceber, podemos procurar um mecânico para nos ajudar.

É claro que ficaríamos muito zangados se o mecânico apagasse a lâmpada usando a simples estratégia de retirá-la. Certamente, a luzinha não se acenderia mais (e isso de fato era o que queríamos), mas o modo como o problema foi “resolvido” parecer-nos-ia pior do que incompetência, pois saberíamos que nos traria um problema maior mais à frente, já que o motivo pelo qual a luzinha se acendeu não ficou resolvido e a situação muito provavelmente se agravaria sem percebermos.

Então, o automóvel é o nosso corpo, a lâmpada de controle do painel equivale ao sintoma. O que constantemente se manifesta em nosso corpo como sintoma é a expressão visível de um processo invisível ao qual deseja interromper o nosso caminho através de um sinal de advertência indicando que alguma coisa não está em ordem. Isso deveria nos fazer refletir sobre os motivos por trás do sinal que nos aparece. Seria absurdo zangarmo-nos com o sintoma, por mais incómodo que ele seja, aliás é de fato absurdo simplesmente apagá-lo, meramente impedindo-o de se manifestar, não lhe parece?

Pois é, mas é assim que a questão é tratada geralmente na atual medicina e a maioria dos pacientes fica satisfeito com esse concerto de simplesmente “apagar a luzinha”.

O sintoma deve ser entendido, para assim se tornar supérfluo e não simplesmente ser impedido de se manifestar. Mas para isso é preciso desviar o olhar do sintoma e examinar tudo com mais profundidade para podermos compreender para o que o sintoma está a apontar.

O que acontece no nosso corpo não pode ser analisado separadamente da instância imaterial a que chamamos de consciência, afinal a palavra indivíduo, significa sem divisão. O corpo nada faz por si mesmo, disto podem certificar-se todos, basta observarem um cadáver. Quando as várias funções corporais se desenvolvem em conjunto de forma dinamicamente equilibrada e harmônica, chamamos a esse estado global do indivíduo de saúde. Quando uma ou mais funções começam a agir de uma forma diferente da que antes estava em ressonância com o equilíbrio global do todo, compromete o conjunto, então chamamos de doença.

A Consciência precede a mudança

Desta forma podemos ver a doença como o questionamento de uma ordem até então equilibrada. No entanto, de outra perspetiva podemos ver a doença como o processo que permite levar a consciência a um novo equilíbrio.

Os nossos sintomas têm coisas mais importantes para nos mostrar sobre nós mesmos do que a maioria dos nossos semelhantes, pois (os sintomas) são parceiros íntimos, visto que nos pertencem totalmente e, de fato, conhecem-nos. Isso provoca uma honestidade muitas vezes difícil de suportar, e portanto não é de causar admiração o fato de termos, enquanto humanidade, nos permitido esquecer a linguagem pela qual se expressam. Afinal, é muito mais fácil sermos desonestos. No entanto, recusarmo-nos a ouvir ou a entender os sintomas não fará com que desapareçam. A proposta que faço aqui é de que saibamos ouvi-los e a estabelecer uma comunicação com eles, pois assim podem se transformar em mestres incorruptíveis na busca pela verdadeira Cura. Na medida em que nos disserem o que de fato nos falta a consciência para restabelecermos uma ordem equilibrada.

A diferença entre esta proposta e a proposta comumente aceita é entre lutar contra a doença e transformar com a doença.

A cura acontece exclusivamente pela transmutação da doença e nunca pela vitória sobre o sintoma, tal transformação ocorrerá através da aceitação na consciência de algo que lhe está oculto. Desta forma, a doença não precisa ser percebida como um desagradável desvio do caminho, pelo contrário, pode ser percebida como o próprio caminho para seguir rumo à cura.

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Em breve partilharemos a Parte II.

Respiração e a Saúde Mental

Autor: Marcelo Lopes, Psicólogo

Parte I

Inspirar é a primeira coisa que fazemos quando nascemos. Expirar é a última coisa que fazemos antes de partirmos.

A respiração está envolvida em tudo o que fazemos e em todas as funções dos nossos corpos e, no entanto, é incrível como muitos de nós não sabem respirar corretamente.

A respiração é uma das nossas principais fontes de energia. Por curiosidade, a origem da palavra “respiração” tem um significado equivalente ao de “energia vital” ou de “espírito da vida” em culturas distintas. Por exemplo, em sânscrito a palavra é “prana”, em chinês é “qi” (lê-se “chi”), em grego é “pneuma”, em hebraico é “ruach” e em latim é “spiritus”. Porque a nossa língua deriva do latim, a palavra mãe é “spiritus” e, por conseguinte, “inspirar” significa trazer a energia vital ou a força da vida para o nosso interior.

Para os adeptos de yoga, a palavra chave é “prana”, da qual deriva a disciplina “pranayama”, cujo significado e prática consistem na expansão da energia vital através de técnicas de respiração. Ao longo das últimas décadas, a ciência ocidental tem vindo a estudar exaustivamente estas técnicas para confirmar tudo aquilo que uma sabedoria milenar tem vindo a tentar transmitir ao longo de tantos anos. Um conhecimento que agora revive e nos vem ajudar com uma tarefa que realizamos a todo o momento, mas com tão pouca consciência .

yoga position

Para realizarmos esta tarefa vital, vimos equipados com um par de pulmões que se estende desde a zona das clavículas até às últimas costelas. Se utilizarmos plenamente a nossa capacidade pulmonar, apresentamo-nos saudáveis e radiantes de energia. Estamos, literalmente, mais vivos. A questão é que, nos tempos que correm, não estamos a usar este recurso na sua totalidade. Na verdade, alguns defendem que só utilizamos metade da nossa capacidade respiratória e, se formos analisar, muitos de nós respiram apenas para a parte superior do tórax, ou então realizam inspirações pouco profundas. Como resultado, os nossos níveis de energia baixam e, para compensar, começamos a comer mais e a depender de estimulantes, o que apenas vem desequilibrar ainda mais o sistema. O stress é o principal culpado, como já não é novidade – embora seja cada vez mais difícil repararmos que estamos sob stress. A complexidade dos estilos de vida mais urbanos traz um nível de stress muito subtil e dissimulado, e cuja presença é constante. Sem darmos por isso, estamos a respirar de forma superficial e com um ritmo bastante acelerado.

Falando de ritmo, respiramos em média 10 a 20 vezes por minutos, um pouco mais se estivermos mais ativos, como quando fazemos exercício, e são estes os números que consideramos normais. Contudo, a ciência demonstrou recentemente que o sistema nervoso está mais equilibrado quando respiramos por volta de 5 ou 6 vezes por minuto. Isto vem provar que já assumimos como “normal” uma respiração que é bastante acelerada. Nas palavras de Jiddu Krishnamurti, “não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente.”

Respiração e Sistema Nervoso

É legitimo culparmos o stress, mas só porque o vivemos em demasia. O stress, tal como a ansiedade, são respostas saudáveis do sistema nervoso que permitem a nossa adaptação a situações desafiantes ou de perigo. É normal que, face a uma ameaça, o coração acelere, o ritmo da respiração e a temperatura aumentem, e os músculos fiquem tensos. Esta é a metade do nosso sistema nervoso, designada por sistema nervoso simpático, que move todos os nossos recursos internos, gere prioridades, e nos prepara para agir – cheios de adrenalina e com os músculos quentes e ativados, estamos muito mais preparados para a ação. Por isso atribuíram a esta resposta o nome de “fight-or-flight”, luta ou fuga. A gestão dessas prioridades implica também um menor enfase em funções “secundárias” à sobrevivência, pelo que o sistema nervoso simpático inibe a digestão, a sexualidade, a regeneração e, a longo prazo, a imunidade.

O termo “longo prazo” é a chave. Temos vindo a treinar-nos muito bem para nos mantermos neste modo durante longos períodos de tempo. É fácil perceber porquê: queremos estar sempre preparados, pensar e agir rápido, responder às exigências intermináveis que nos surgem constantemente. No entanto, o que é natural é regressarmos a um estado de tranquilidade e repouso depois de responder a uma situação desafiante ou ameaçadora. Aqui, é o sistema nervoso parassimpático que entra em cena, a metade que é responsável por relaxar, digerir e regenerar – e por isso recentemente terem começado a chamar à sua resposta “rest-and-digest”. Para que isto aconteça, é necessário sentir que o desafio terminou, deixar que o corpo saiba que pode finalmente descansar – este é problema.

O sistema nervoso parassimpático percebe o que se passa no corpo através de um nervo especial designado por nervo vago. Estendendo-se desde o centro do cérebro até à zona abdominal, este nervo recolhe informação através do seu contacto com o intestino, os pulmões e o coração diretamente para o cérebro. E enquanto os sinais vindos desses órgãos indicarem stress, o nervo vago não dá o sinal para relaxar. Continuamos prontos para lutar ou fugir, e não para relaxar e digerir, permanecendo tensos, com digestões lentas ou pouco eficientes, e com uma imunidade baixa. Horas, dias ou semanas podem passar e, em piloto automático, a resposta para parar não surge. É, por isso, necessário tornarmo-nos conscientes e assumir controlo sobre esta função.

“Enganar” a Mente

Quando estamos felizes, é natural sorrirmos. Sorrimos para expressar a felicidade que sentimos no nosso interior. Mas, mesmo se não estivermos, se tentarmos forjar um sorriso, talvez acabemos por nos sentir um pouco melhor. Isto é na verdade o cérebro a ser “enganado” por um processo neuronal, porque os neurónios que processam as emoções estão associados aos neurónios que controlam os músculos da face. Como dizia o neuropsicólogo Donal Webb, “neurónios que disparam juntos, conectam juntos”.

Os nossos cérebros nem sempre conseguem determinar a ordem dos eventos emocionais ou distinguir entre imaginação e realidade. É por isso que também podemos ficar ansiosos por coisas que ainda não aconteceram, apenas por pensarmos sobre elas. Quando uma rede neuronal é ativada, a nossa química interior altera-se – forge um sorriso para gerar mais serotonina, a hormona da felicidade, ou rumine um pouco para fazer subir o cortisol (não aconselhado).

Não é diferente com a respiração. Quando estamos calmos, seguros e felizes, respiramos de uma forma lenta e abundante, enchendo grande parte dos nossos pulmões e dando tempo para absorver o oxigénio. Se estivermos sob stress ou em perigo, tendemos a realizar uma respiração curta, superficial e irregular, de modo a obter oxigénio rápido. Assim, poderíamos assumir que respiramos de acordo com o que sentimos, e isto é verdade, embora o oposto também seja. Se respirarmos de forma plena, as nossas emoções tenderão a acalmar. Começamos a sentir-nos de acordo com a forma como respiramos. A respiração é a única função vital que pode ser controlada conscientemente – se nos esquecermos dela, o nosso corpo assume o seu controlo, mas podemos ser nós a assumir. O piloto automático tem a sua utilidade, como falámos no artigo anterior, mas a tomada de consciência tem aplicações muitos vastas. Porque não paramos de vez em quando e, com curiosidade, escutamos a nossa respiração? O seu ritmo, a sua profundidade, a sensação que a ela se associa. E experimentarmos abrandar gradualmente este ritmo, encorajando um senso de plenitude.

Respirar neste registo pode não parece natural… e é por isso que precisamos de prática e continuidade. Ao longo do tempo, vamos tornando acessíveis os estados mais relaxados de consciência e auto-regeneração. De um modo misterioso, o nervo vago pode ser ativado através de uma respiração profunda e lenta, feita de forma voluntária. Quando ativo, ele interage com o sistema nervo parassimpático, levando todo o corpo a relaxar, e é assim que enganamos a nossa mente para relaxar – mesmo que o desafio se mantenha presente. E, para quem gosta de viver em contantes desafios, ou de empreender projetos muito exigentes, saber tornar a respiração um processo consciente é algo fundamental.

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Em breve partilharemos a Parte II.